"Numa iniciativa que não surpreendeu, o governo sueco reconheceu oficialmente [ 30 Outubro 2014] o Estado da Palestina. Em Israel, as reacções variaram da fúria à rejeição desdenhosa. Israel chamou o seu embaixador em Estocolmo e o ministro dos negócios estrangeiros, Avigdor Lieberman, com a sua conhecida delicadeza, recordou à sua homologa nórdica: " A Suécia tem de perceber que as relações no Médio Oriente são muito mais complicadas do que o sistema de montagem de móveis IKEA" [...]
Após a observação desdenhosa que Lieberman lhe dirigiu, a ministra sueca respondeu-lhe: Terei muito prazer em enviar-lhe um móvel IKEA para montar. Descobrirá que a tarefa requer um parceiro, cooperação e um bom manual.' "
In "Courier International!
quinta-feira, março 26, 2015
quarta-feira, março 25, 2015
2 anos depois
Reparei agora que exactamente 2 anos depois voltei a escrever aqui. 22 Março, 2013 e 2015. A verdade é que mesmo nos últimos anos não fui muito assídua. Perdi o encanto no blog, ou nos blogs. Na 1.ª versão eu era muito mais participativa. Os últimos quê? 4 anos? praticamente só visitei blogs. Nem comentar eu faço. Nestes últimos dias reli os meus blogs, tenho saudades desses tempos, não só da liberdade que sentia ao escrever aqui, da liberdade que toda a gente sentia. De algumas pessoas desses tempo. Algumas adicionei no FB, sabem quem eu efectivamente sou.
Mas há algum tempo que andava com vontade de voltar. De registar aqui as minhas coisas, as minhas singularidades, certo? Criei até outro e-mail, com ideia de iniciar outro blog, mas este conta muito de mim, ou estes blogs contam muito de mim. Vou continuar por aqui.
Mas há algum tempo que andava com vontade de voltar. De registar aqui as minhas coisas, as minhas singularidades, certo? Criei até outro e-mail, com ideia de iniciar outro blog, mas este conta muito de mim, ou estes blogs contam muito de mim. Vou continuar por aqui.
domingo, março 22, 2015
Apetece-me voltar aqui
"You don,t always need a plan. Sometimes you just need to breath, trust, let go and see what happens."
Desconheço o autor
Desconheço o autor
sexta-feira, março 22, 2013
Leitura: As 23 mulheres do Concilio
Depois de um regressar ás questões da Fé (Igreja?) e me questionar e questionar outras pessoas (Mi?) sobre a questão das mulheres, neste caso na Bíblia, ou como são vistas / tratadas na Bíblia, soube da existência deste livro.
Foi na coluna semanal da revista Única do (Pe?) José Tolentino Mendonça. Ele mencionou o livro e eu fiquei interessada em ler "As 23 Mulheres do Concilio - A presença feminina no Vaticano II" de Adriana Valerio.
É um livro pequeno mas que me levou algum tempo a ler, escrita não muito simples. Eu não sabia que as mulheres tinham participado no Concilio Vaticano II. Foi um presença mais simbólica mas que foi vista com alguma importância. Elas eram auditoras, foram convidadas a assitir mas não podiam participar formalmente, nas discussões, reuniões, etc. Muito do concilio foi decidido nas reuniões auxiliares, nas conversas informais e as mulheres puderem participar em alguns documentos que saíram do Concilio. Não deixo de achar no entanto que, apesar de ser uma mudança, foi apenas um pequeno passo. Há tanto caminho ainda a percorrer. Um dos assuntos chave que se queria discutir era o papel das mulheres na Igreja, mas muito ficou por discutir e fazer:
" O Concilio não desatou todos os nós nem faltaram reticências e omissões (...) a admissão das mulheres aos ministérios continuam, ainda hoje, a ser tabu na Igreja; sobre elas há tabus e medo de enfrentá-las. (...).
Na comissão chamada a estudar e a dar um parecer sobre a possibilidade de conferir a Ordem Sagrada às mulheres, já tinha havido fracturas e dissabores por causa das limitações impostas à investigação e à discussão, pelas quais se chegou à nota de minoria, ato de protesto de cinco mulheres, que se distanciaram por causa dos métodos intimidatórios e manipuladores. Como conclusão dos trabalhos, declaração da Congregação para a Doutrina da Fé, fechou todas as possibilidade, mesmo para o futuro, de acesso das mulheres ao ministério sacerdotal. (...)."
O último parágrafo do livro inicia: "Apesar de tudo, o Concílio representou para a mulher a afirmação da igualdade fundamental com o homem (...)" no entanto a mensagem final de Paulo VI dirigida às mulheres foi num sentido diferente "daquilo que as auditoras tinham proposta e auspiciado". Elas não queriam ser tratadas como um grupo à partem, uma categoria distinta, mas tratadas do mesmo modo que os homens.
Tal como referiu uma das auditoras leiga, Pilar Bellosillo: "A nossa preocupação principal de mulheres foi, precisamente a da 'não-desriminação'. De facto, considero que este critério geral é preferível ao de seguir a tentação perigosa em que caíram alguns dos primeiros textos, isto é, dedicar parágrafos especiais às mulheres". Pilar Bellosillo foi uma das cinco mulheres que assinou a referida nota de minoria, nota essa que foi rejeitada e não entrou no documento final, tendo sido apenas tornada pública em 1987. Pilar Bellosillo foi também a escolhida para ser porta-voz dos Auditores na Aula conciliar, o que não foi permitido em virtude da famosa citação (1 Coríntios 14,34) - "As mulheres estejam caladas nas assembleias".
Foram escolhidas 10 religiosas e 13 leigas. Das leigas há a assinalar ainda Gladys Parentelli que "considerou o Concílio um acontecimento que ela tinha vivido com muitas expectactivas, mas que, ao contrário, se tinham revelado uma fonte de grandes desiluções. (...) Ela considerava que a mulher foi grande ausente porque, naquela ocasião, a Igreja Católica não tinha deixado de ser androcêntrica e patriarcal (...). [Gladys Parentelli] distanciou-se ainda mais da hierarquia católica, empenhando-se na teologia da libertação e no ecofemenismos."
Por último não quero deixar de referir a presença de outra auditora leiga, Luz Maria Alvarez Icaza, que participou no Concilio juntamento com o marido, aliás graças ao marido, José Alvarez Icaza, que tendo sido convidado para auditor, respondeu que só iria se convidassem também a mulher. Embora soubessem que a presença dos auditores era simbólica e restrita , sem possibilidade de tomarem a palavra ou votar, José e Luz trabalharam intensamente na Comissão conciliar do Apostolado dos Leigos, participando nas reuniões, estudando, preparando documentos sobre os diversos temas e fazendo propostas. (...) Tinham chamado a atenção dos padres conciliares para a realidade matrimonial (...) tendo Luz chegado a dizer a um padre:
'Não gosto do que está a dizer (...) é enfadonha a expressão de S. Tomás que afirma que o fim primário do matrimónio é a procriação da espécie, e em segundo lugar a complementaridade conjugal e finalmente em terceiro o remédio da concuspiscência: perturba-nos muito a nós, mães de familia, que os filhos sejam fruto da concuspiscência. Pessoalmente tive muitos filhos sem nenhuma concuspiscência, pois são todos fruto do amor".
Foi na coluna semanal da revista Única do (Pe?) José Tolentino Mendonça. Ele mencionou o livro e eu fiquei interessada em ler "As 23 Mulheres do Concilio - A presença feminina no Vaticano II" de Adriana Valerio.
É um livro pequeno mas que me levou algum tempo a ler, escrita não muito simples. Eu não sabia que as mulheres tinham participado no Concilio Vaticano II. Foi um presença mais simbólica mas que foi vista com alguma importância. Elas eram auditoras, foram convidadas a assitir mas não podiam participar formalmente, nas discussões, reuniões, etc. Muito do concilio foi decidido nas reuniões auxiliares, nas conversas informais e as mulheres puderem participar em alguns documentos que saíram do Concilio. Não deixo de achar no entanto que, apesar de ser uma mudança, foi apenas um pequeno passo. Há tanto caminho ainda a percorrer. Um dos assuntos chave que se queria discutir era o papel das mulheres na Igreja, mas muito ficou por discutir e fazer:
" O Concilio não desatou todos os nós nem faltaram reticências e omissões (...) a admissão das mulheres aos ministérios continuam, ainda hoje, a ser tabu na Igreja; sobre elas há tabus e medo de enfrentá-las. (...).
Na comissão chamada a estudar e a dar um parecer sobre a possibilidade de conferir a Ordem Sagrada às mulheres, já tinha havido fracturas e dissabores por causa das limitações impostas à investigação e à discussão, pelas quais se chegou à nota de minoria, ato de protesto de cinco mulheres, que se distanciaram por causa dos métodos intimidatórios e manipuladores. Como conclusão dos trabalhos, declaração da Congregação para a Doutrina da Fé, fechou todas as possibilidade, mesmo para o futuro, de acesso das mulheres ao ministério sacerdotal. (...)."
O último parágrafo do livro inicia: "Apesar de tudo, o Concílio representou para a mulher a afirmação da igualdade fundamental com o homem (...)" no entanto a mensagem final de Paulo VI dirigida às mulheres foi num sentido diferente "daquilo que as auditoras tinham proposta e auspiciado". Elas não queriam ser tratadas como um grupo à partem, uma categoria distinta, mas tratadas do mesmo modo que os homens.
Tal como referiu uma das auditoras leiga, Pilar Bellosillo: "A nossa preocupação principal de mulheres foi, precisamente a da 'não-desriminação'. De facto, considero que este critério geral é preferível ao de seguir a tentação perigosa em que caíram alguns dos primeiros textos, isto é, dedicar parágrafos especiais às mulheres". Pilar Bellosillo foi uma das cinco mulheres que assinou a referida nota de minoria, nota essa que foi rejeitada e não entrou no documento final, tendo sido apenas tornada pública em 1987. Pilar Bellosillo foi também a escolhida para ser porta-voz dos Auditores na Aula conciliar, o que não foi permitido em virtude da famosa citação (1 Coríntios 14,34) - "As mulheres estejam caladas nas assembleias".
Foram escolhidas 10 religiosas e 13 leigas. Das leigas há a assinalar ainda Gladys Parentelli que "considerou o Concílio um acontecimento que ela tinha vivido com muitas expectactivas, mas que, ao contrário, se tinham revelado uma fonte de grandes desiluções. (...) Ela considerava que a mulher foi grande ausente porque, naquela ocasião, a Igreja Católica não tinha deixado de ser androcêntrica e patriarcal (...). [Gladys Parentelli] distanciou-se ainda mais da hierarquia católica, empenhando-se na teologia da libertação e no ecofemenismos."
Por último não quero deixar de referir a presença de outra auditora leiga, Luz Maria Alvarez Icaza, que participou no Concilio juntamento com o marido, aliás graças ao marido, José Alvarez Icaza, que tendo sido convidado para auditor, respondeu que só iria se convidassem também a mulher. Embora soubessem que a presença dos auditores era simbólica e restrita , sem possibilidade de tomarem a palavra ou votar, José e Luz trabalharam intensamente na Comissão conciliar do Apostolado dos Leigos, participando nas reuniões, estudando, preparando documentos sobre os diversos temas e fazendo propostas. (...) Tinham chamado a atenção dos padres conciliares para a realidade matrimonial (...) tendo Luz chegado a dizer a um padre:
'Não gosto do que está a dizer (...) é enfadonha a expressão de S. Tomás que afirma que o fim primário do matrimónio é a procriação da espécie, e em segundo lugar a complementaridade conjugal e finalmente em terceiro o remédio da concuspiscência: perturba-nos muito a nós, mães de familia, que os filhos sejam fruto da concuspiscência. Pessoalmente tive muitos filhos sem nenhuma concuspiscência, pois são todos fruto do amor".
domingo, fevereiro 24, 2013
Dentro do Segredo - Uma viagem na Coreia do Norte
" Às vezes, tenho medo de estar a criar uma distância insuperável entre mim e as pessoas que me são queridas. O perigo não é a distância físicaa, os milhares de quilometragem que muitas vezes nos separam, o perigo é deixarmos de nos entender.
Mesmo ausentes, continuamos a existir em todos os momentos.
Calculo a diferença horária e lembro-me das pessoas que me são queridas, telefono à minha familia, mas os lugares onde estou, aquilo que ouço e aprendo é muito diferente dos lugares onde eles estão, daquilo que ouvem e aprendem. A experiência que temos do mundo diverge cada vez mais. Utilizamos palavras, são as mesmas, mas têm significados diferentes.
Tenho medo de deixar de entender a minha mãe, tenho medo que ela deixe de me entender a mim. Encontramo-nos na cozinha da casa da minha irmã, ou em almoços de domingo, ou no Natal. Falamos ao telefone:
Está tudo bem?
Cá vamos andado, responde ela e respondo eu. O que significa aquilo que não dizemos?
Tenho medo que os meus filhos nunca cheguem a entender aquilo que lhes conto quando ficamos em silêncio, quando o tempo passa e estamos juntos, no mesmo lugar, eu a conduzir em viagens longas com horizante e eles, ao meu lado, a olharem pela janela, ou quando é fim da tarde, também com horizonte, em silêncio."
In "Dentro do Segredo - Uma viagem na Coreia do Norte" de José Luís Peixoto.
Mesmo ausentes, continuamos a existir em todos os momentos.
Calculo a diferença horária e lembro-me das pessoas que me são queridas, telefono à minha familia, mas os lugares onde estou, aquilo que ouço e aprendo é muito diferente dos lugares onde eles estão, daquilo que ouvem e aprendem. A experiência que temos do mundo diverge cada vez mais. Utilizamos palavras, são as mesmas, mas têm significados diferentes.
Tenho medo de deixar de entender a minha mãe, tenho medo que ela deixe de me entender a mim. Encontramo-nos na cozinha da casa da minha irmã, ou em almoços de domingo, ou no Natal. Falamos ao telefone:
Está tudo bem?
Cá vamos andado, responde ela e respondo eu. O que significa aquilo que não dizemos?
Tenho medo que os meus filhos nunca cheguem a entender aquilo que lhes conto quando ficamos em silêncio, quando o tempo passa e estamos juntos, no mesmo lugar, eu a conduzir em viagens longas com horizante e eles, ao meu lado, a olharem pela janela, ou quando é fim da tarde, também com horizonte, em silêncio."
In "Dentro do Segredo - Uma viagem na Coreia do Norte" de José Luís Peixoto.
Milena - IV
"[Milena] escreveu um dia: ' Quando temos uma ou duas pessoas, que digo eu, quando temos uma única pessoa com a qual nos podemos mostrar fracas, infelizes, desanimadas e que, do mesmo modo, não mos faça sofrer, então somos ricos. Só podemos exigir indulgência àquele ou àquela que nos ame, mas nunca a outras pessoas, e sobretudo nunca a nós próprios."
In "Milena" de Margarete Buber- Neumann
In "Milena" de Margarete Buber- Neumann
Milena - III
"Era muitas vezes o comportamento de uma detida que fazia com que lhe batessem ou não. Pode dizer-se, sem exagero, que numerosos rostos, com as suas expressões amedrontadas e sevis, atraiam os maus tratos das SS. "É a própria essência da angústia", dizia Milena, "não se pode ficar parado ... Simplesmente ficando de pé, enfrento com toda a calma os que não conheço, preparo-me para enfrentar esse desconhecido ... Mas, para poder fazê-lo, é preciso força; e esta força, o indivíduo só a tem enquanto não separar o seu destino do dos outros, enquanto não perder de vista o essencial, enquanto tiver a consciência profunda de pertencer a uma comunidade. A partir do momento em que ele é apenas uma consciência isolada, procura na sua alma um protexto para se evadir. A solidão talvez seja a maior maldição que existe sobre a Terra ..."
In "Milena" de Margarete Buber - Neumann
In "Milena" de Margarete Buber - Neumann
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